13 de novembro de 2017

Tudo se sente

















As cordas ouvem-se tocadas
Marteladas no piano
O ritmo do pé apaixonado,
O abanar do corpo
Tudo se sente, tudo se sente.

O som surge, como se sente
Fecham-se os olhos
E tudo faz sentido.
Tudo se sente, tudo se sente.

A letra é a melodia da pauta tocada,
Sentida e escrita sobre cinco linhas
Umas notas agudas,
Outras mais graves.
Tudo se sente, tudo se sente.

O ritmo pautado e certo
Alterado por súbitas subidas
Que trazem o desassossego
E a paixão do viver.
Tudo se sente, tudo se sente.


13/11/2017


11 de novembro de 2016

FODA-SE!
















Às vezes apenas me apetece dizer FODA-SE!
Às vezes quero tanto e não tenho nada.
Às vezes quero tão pouco e tenho tanto.
Às vezes quero estar quieto no meu canto e toda a gente me chateia.
Às vezes quero estar no meio e rodeado com tanta gente e mais pareço sozinho.
Às vezes estou tão cansado, que apenas quero relaxar e descansar.
Às vezes estou com tanta energia que nem é bom passar à minha frente.
Às vezes apetece dizer basta.
Às vezes apetece dizer quero mais.
Mas hoje não quero dizer nada mas tenho tanto para dizer.
Mas hoje como quero dizer tanto, digo FODA-SE!

9 de novembro de 2016





















Palavras, algo que por vezes ele acha que conhece e tantas pessoas desvalorizam. Ele, na verdade, assim pensa porque dá-se bem com elas, com as palavras. Umas das coisas que mais gosta é de palavras. Brinca com elas, torce, distorce e delas faz trocadilhos às vezes simples, outras vezes rebuscados. Quando as escreve, às palavras, não pensa nelas, elas quase como que sussurradas lhe aparecem. Ele limita-se a coloca-las no papel. Para ele, o escritor, o poeta é um mero canal, um instrumento. Outros dizem que o poeta é um fingidor. Pois, inventa histórias, inventa sentimentos que porventura, ficaram bem no papel e a quem as lê. Ele não pensa assim, diz ele. Para ele, o escrever é como que algo que sempre fez parte dele. O papel por início e por prazer. Tem cadernos, folhas soltas que sempre pensou em organizar. Talvez um dia. As teclas pela simplicidade, pela rapidez e pelo som do teclar no silêncio da noite. Houve tempos, se ele aqui estivesse, que diria que na noite tudo vale, tudo pode acontecer, tudo é permitido. Há sonhos que se tornam realidade. Mas também há, tantas outras vezes, que os sonhos tornam-se autênticos pesadelos. Às vezes encontro-o, apesar dele ser rápido e escorregadio. Troco umas meras e curtas palavras, quase de circunstância. Não que eu não queira mais, mas pela sua apressada cadência e excesso de falta de tempo aparente, rapidamente dá a volta ao assunto e se despede. Como conhece as palavras, para ele é fácil. Ali vai ele. Para onde vai ele assim tão apressado? É algo que gostaria de saber. Para onde vais tu oh poeta?






8 de novembro de 2016















O ser humano passa a vida a queixar-se, quando na prática, devia passar, todo esse tempo, a agradecer. Infelizmente, na maior parte das culturas, o ser humano é induzido em erro. Basicamente é um cego tenta conduzir outro cego. É ensinado a dar valor aquilo, que de facto, nenhum valor tem. Nada interessa. E quando exposto e colocado em situações complexas que exigem uma instantânea boa reação, não está preparado para decidir. Quando decide, apenas por sorte, consegue acertar. Tudo o quanto cada um necessita para a sua evolução, está literalmente disponível e muitas e tantas vezes, está ao nosso lado. Sintonia, sintonia e sintonia é o que é preciso. Há aqueles, que nem isto sabem. Não que eles tenham culpa, porque não foram ensinados. O objetivo toda a gente sabe o que é mas desconhece o seu sentido e não o vê como seu objetivo. O bem, apenas o bem, fazer o bem é somar pontos na existência de cada um. Aquele que assim não pensa, já caminhará sobre brasas. A vida não acaba nunca. Como diz o poeta, morrer é apenas não ser visto.

7 de outubro de 2016

Com sem sentido





















Às vezes, apetece-me escrever. Sinto que escrevo, porque sinto. Escrevo livremente porque me sinto livre. Sem saber por onde vou, escrevo. E sem saber onde vou parar, continuo a escrever. Se paro para pensar? Não! Deus me livre Não! O sentimento mexe-me os dedos e os fazem teclar. Já outras vezes, pegam numa caneta e vão escrevendo. Houve algumas vezes, não sei se muitas ou apenas algumas, escrevi páginas a fio. Sem um rumo, mas com um sentido, o sentimento. Hoje, assim caminho. No silêncio da noite que tanto adoro ouvir, por vezes vivo. E como vivo! Tantas aventuras já vivi, que nem o tanto que escrevo é capaz de trazer um décimo dessas histórias. De que são essas historias? São histórias, histórias de sentimentos dispersos. De encontros ou desencontros. Por vezes são mágoas. Por vezes, preparo situações, situações hipotéticas que não passam disso mesmo, situações hipotéticas que não chegam acontecer. Quem não as tem…. E por isso, escrevo com sentido mas sem rumo. Se eu bebesse, estaria a beber. Se eu fumasse, com certeza estaria a fumar. Assim como isso não acontece, apenas escrevo. As palavras vão-me saindo, sem pensar, apenas sinto. O som do silêncio destaca o martelar do meu teclar. Que sentimento puro, cristalino e belo! A paz de tudo que nos rodeia. Nestes momentos, tudo toma o seu devido lugar, todas as dúvidas se dissipam, tudo fica mais claro e limpo. Agora, tudo faz sentido. E quanto menos penso, mais rápido escrevo. E quando penso, paro de escrever.


07/10/2016